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domingo, 27 de novembro de 2011

Seminário “O fascínio pelo imaginário e fantástico no século XIX através da obra de Drácula e a construção do seu mito”

No dia 22/11/2011, eu apresentei na Faculdade Saberes, em Vitória/ES, o seminário "O fascínio pelo imaginário e fantástico no século XIX através da obra de Drácula e a construção do seu mito", com o objetivo de elucidar as mentes menos conhecedoras sobre o surto de vampirismo que ocorreu entre os século XVIII e XIX na Europa e como isso culminou no sucesso da obra de Bram Stoker, Drácula. Abaixo segue o material que eu apresentei, espero que gostem:

O fascínio pelo imaginário e fantástico no século XIX através da obra
de Drácula e a construção do seu mito
Sestro Marsden
Drácula é o personagem-título do romance criado por Bram Stoker e publicado em 1897, se tornando o vampiro mais conhecido da modernidade e incitando no mundo a ideia de um ser poderoso e sem escrúpulos, capaz de qualquer coisa para saciar seus desejos. Seu inimigo, Van Helsing, o destrói se munindo de objetos relacionados à religião cristã-católica romana, como o crucifixo e a hóstia, além de usar o alho para afastá-lo e estacas para ataca-lo, crenças populares da Europa Oriental, região rica de mitologia vampírica. Mas antes de Drácula surgir ao final do século XIX, o mito do vampiro chegou a Europa Ocidental através de um surto de manifestações que levaram a investigações da igreja, que realizaram duas dissertações a respeito dos casos, assim como incitou o imaginário de muitos escritores que usaram o mito como base para suas obras.
Para melhor compreensão disso temos o caso de Arnold Paole, soldado sérvio que retornou para casa após um período de serviços prestados na Sérvia Turca, como era conhecido o exército daquela região. Ele comprou terras, se tornou agricultor e casou-se. Mas ele revelou a esposa que durante o período de serviços na Sérvia Turca fora atacado por um upirina[1], ao qual ele perseguiu até o cemitério e o matou. Comeu a terra do túmulo e cuidou das feridas com o sangue na intenção de se livrar dos efeitos do ataque, mas temia que ainda tivesse marcado, como uma maldição.
Paole então morre após um acidente, só que dias após sua morte um surto de visões começam a surgir e pessoas que disseram tê-lo visto, morrem. No 40° dia após sua morte, decidem desenterrar seu corpo. Acompanhados de dois cirurgiões militares, o povo da região aonde Arnold Paole residia abre seu caixão e o encontra como se tivesse sido enterrado há pouco tempo, somente com uma pequena camada de pele velha sobreposta a uma pele nova e com as unhas ainda crescendo. Eles estaqueiam o corpo do morto e ouvem um gemido, além de o sangue jorrar da ferida, mas não para por aí, pois as pessoas mortas, supostamente, por Paole, têm o mesmo fim. Em 1731, quatro anos após as mortes de Paole e suas supostas vítimas, uma jovem disse ter sido atacada por um homem chamado Milo, que havia falecido há pouco tempo. Desta forma o imperador austríaco nomeou o cirurgião Johannes Fluckinger para investigar o caso. Fluckinger se dirigiu a região de Medgevia, ao norte de Belgrado, aonde Paole havia nascido e residido e também local da aparição de Milo, para inspecionar o desenterro do corpo. Descobrindo-o em estado semelhante ao de Paole, foi ordenado o estaqueamento e a incineração do falecido. Numa busca pela resposta do motivo de uma pessoa ter se tornado vampiro depois de quatro anos, fora determinado que Paole houvesse “vampirizado” diversas vacas, sendo este o motivo do mais recente caso. Sendo assim, sob ordens do cirurgião nomeado pelo imperador, várias pessoas que haveriam falecido há pouco tempo foram desenterradas, estaqueadas e queimadas.
Essa pantofobia[2] relativa aos ataques de vampiros que tomou a região das Europas Central e Oriental foram abordadas pela Igreja Cristã-católica romana em dois trabalhos. O primeiro foi realizado em 1744 pelo arcebispo de Trani, região da Itália, Giuseppe Davanzati (1665-1755), que se chamava Dissertazione sopra I Vampiri[3].
Davanzati fora nomeado pelo papa Benedito XIV como patriarca de Alexandria quando a onda vampírica chegou à Alemanha. O bispo de Olmütz, Cardeal Schtrattembach, o convidou para participar das discussões acerca deste surto, que se originara com o caso de Paole, em 1727, daí então escreveu sua dissertação tendo como base os relatos deste caso e de estudo relacionados ao assunto.
Vampiri[4] era uma terminologia do vampir húngaro, que se originara do upír[5], e define o que Davanzati chamou de fantasia humana, com possibilidades de origem diabólica. Na sua argumentação, as aparições vampíricas se realizavam aos camponeses e analfabetos das classes mais baixas, cujo imaginário eram mais tendencioso do que para pessoas letradas. Mas sua dissertação foi superada pela do acadêmico francês Don Augustin Calmet, que escreveu em 1746 a Dissertations sur les Apparitions des Anges, des Démons e des Esprits, et sur les revenants, et Vampires de Hungrie, de Bohême, de Moravie, et de Silésie[6], que fora seu único trabalho a respeito do assunto.
Calmet, como acadêmico católico romano, havia lecionado Filosofia e Teologia na Abadia em Moyen-Moutier e trabalhara em um comentário maciço de 23 volumes sobre a Bíblia, além de tentar popularizar o trabalho de interpretação dela. O papa Benedito XIII chegou a oferecê-lo um bispado, mas ele recusou. A pesquisa de Calmet sobre os vampiros iniciou da mesma forma que a de Davanzati, por conta do surto de aparições que se iniciou em 1727 na Europa Oriental e se alastrou pela Alemanha. Na França não existiam relatos como aqueles, mas o acadêmico ficou impressionado com os detalhes dos testemunhos que corroboravam com a existência do vampirismo e não achava certo que fossem ignorados.
A definição de Calmet sobre os vampiros era que eles seriam pessoas mortas que retornavam de seus túmulos para perturbar os vivos, bebendo de seu sangue e, possivelmente, leva-los a morte. O único meio de eliminá-los seria desenterrando o corpo do suposto vampiro, cortando-lhe a cabeça, estaqueando uma madeira no corpo e queimando-o até que virassem cinzas. Mas Calmet tinha sérias críticas à histeria desenfreada que causou a exumação de vários corpos, aos quais achavam terem sido vampirizados, e suas mutilações. Também amainou o que Davanzati havia escrito sobre o fenômeno atingir somente as classes iletradas, referindo-se ao folclore popular das regiões, o parco conhecimento sobre as alterações dos corpos após a morte e sobre sepultamentos prematuros. Ao fim, Calmet deixa o assunto em aberto, não o concluindo, mas aparentando acreditar na existência de vampiros ao escrever “[...] que parece impossível não apoiar a crença que prevalece nesses países de que essas aparições na realidade provêm do túmulo e que são capazes de produzir terríveis efeitos tão difundidos e atribuídos a eles”[7].
Calmet, ao deixar em aberto a discussão sobre a existência ou não de vampiros, incentivou a busca por respostas a respeito deste ser folclórico que começara a se desenvolver na mente de poetas alemães, tanto que dois anos após a publicação de sua dissertação surge o poema Der Vampyr de Heinrich August Ossenfelder. Após a publicação de Ossenfelder, outros poetas alemães desenvolveram obras semelhantes, como Lenora de Gottfried August Bürger, Die Braut von Korinth de Johann Wolfgang von Goethe. Esses poemas chegaram a Inglaterra na década de 1790, quando William Taylor de Norwich traduziu Lenora para o inglês, que incentivou Samuel Taylor Coleridge a escrever Christabel em 1801 e Robert Southey que escreveu Thalaba the Destroyer.
Dois dos maiores incentivadores da literatura vampírica no início do século XIX foram Lorde George Gordon Byron e Percy Bysshe Shelley, tanto que em 1816, devido ao tempo que não permitia que transitassem pelas ruas de Genebra, Byron sugeriu que fossem escritos histórias de fantasmas para serem compartilhadas entre eles. Entre os convidados estavam, além de Shelley, Mary Wollstonecraft Goldwin, Claire Clairmont e John Polidori. As histórias começaram a ser escritas naquela noite e somente duas ganharam relevância após o encontro, uma delas fora escrita por Mary Goldwin, que mais tarde se casaria com Percy Shelley, e era intitulada Frankenstein. A obra se tornou extensamente popular, pois narrava um cientista que buscava descobrir como reanimar um corpo morto e quando conseguiu, este se torna um monstro, mas somente da ideia de infringir todas as leis da natureza, Mary Shelley, como é mais conhecida, conseguira imputar no imaginário humano a possibilidade de que a ciência era capaz de tudo, até mesmo dar vida aos humanos.
Outro membro da reunião que teve certo sucesso com sua obra foi John Polidori que escreveu o primeiro romance The Vampyre. A obra foi publicada em 1819 no New Monthly Magazine[8], e foi a primeira a gerar interesse dos ingleses pelos vampiros, antes somente interessantes para poetas. The Vampyre se tornou peça teatral na França e incentivou outros escritores a criar obras literárias sobre vampiros, como James Malcolm Rymer, que em 1840 publicou Varney, the Vampyre, e Joseph Thomas Sheridan Le Fanu que em dezembro de 1871 iniciou a publicação de Carmilla na revista Dark Blue[9] em quatro partes.
Carmilla contava a história de uma vampira que atormentava uma jovem e foi esta história a principal incentivadora para a criação de Drácula, pois depois de lê-la, Bram Stoker teve um pesadelo e iniciou o projeto para um livro sobre vampiros.
Impressionado com a abordagem do fantástico pelo escritor de Carmilla, Bram Stoker, que nessa época já havia escrito livros adultos e infantis, decide iniciar uma pesquisa.
Conforme descoberto pelo editor e pesquisador Marcos Torrigo e citado por ele na Introdução do livro “Drácula”, Bram Stoker aparentemente fez parte da Hermetic Order of the Golden Dawn[10], que buscava respostas sobre o imaginário que permeava o século XIX, e que possuía documentos que poderiam ser associados a Vlad Dracul[11], pai de Vlad Dracula, personagem-título da obra de Stoker.
Em um melhor entendimento sobre isso a necessidade do uso de um personagem da história da Europa Oriental na obra de Bram Stoker, cito Sandra Jatahy Pesavento que escreve sobre o imaginário:
“(As) representações teriam, na sua concepção, um fundo de apoio na concreticidade das condições reais da existência. Ou seja, as ideias-imagens precisam ter um mínimo de verossimilhança com o mundo vivido, para que tenham aceitação social, para que sejam críveis.” (S.J. Pesavento, 1995, p.22)
Dessa forma podemos compreender que Stoker ao usar Vlad, que também era conhecido como Vlad Ţepeş[12], busca criar alguma ligação com a realidade, já que este havia sido um sanguinário guerreiro da Igreja Cristã.
Com as informações sobre a família de Vlad e seu passou, e tendo como leitura o livro The Land
Beyond to the Forest
, de Emily Gerard, que narra com detalhes os costumes e tradições da região da Transilvânia, Bram Stoker desenvolveu sua obra. Ele junta as lendas do leste europeu, o envolvimento da Igreja na perseguição a estes seres demoníacos, um guerreiro romeno que lutou contra os turcos no século XV, para criar uma obra que influenciou – e ainda influencia – muitos trabalhos voltados para este tema, criando um mito que permeia o imaginário até os dias de hoje, pois como cita Roland Barthes em seu livro Mitologias: “O mito é um sistema de comunicação, uma mensagem.” (BARTHES, 2010, p.199), e Drácula funciona muito bem neste contexto, pois passa a mensagem da existência do vampiro dentro da sociedade vitoriana, abastecida pelo imaginário do fantástico com obras como Frankenstein de Mary Shelley e O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson, que trabalham a ciência e o ocultismo lado-a-lado. Já o trabalho do mito e do fantástico desenvolvido por Bram Stoker se diferencia e dá mais destaque, pois busca em lendas que já vinham enriquecendo a literatura europeia sua base, usando uma região totalmente rica deste conteúdo, como a Transilvânia.
Bram Stoker não parece desconhecer o que criara, tanto que, com seu sócio e amigos, o ator Henry Irving, lança a peça Dracula, or The Un-dead no Lyceum Theater em 1897, no intuito de garantir os direitos sobre a obra, mas vinte e cinco anos depois, na Alemanha, o roteirista Henrik Gallen e o diretor Friedrich Wilhelm Murnau, apoiados por Albin Grau, diretor da Prana-Film, desenvolvem o filme Nosferatu, Eine Symphonie de Garuens[13]. O termo nosferatu vem do eslavo que significa portador de pragas. A locação se muda da Transilvânia para a cidade de Bremen, na Alemanha, e os nomes dos personagens se alteram, como Drácula passa a se chamar Conde Orlock, mas o filme é nitidamente baseado na obra de Stoker, o que trás problemas para a
película, que sofre um processo de direitos autorais e é ordenado que todas as cópias sejam queimadas, alimentando ainda mais o mito sobre Drácula.
O que alimenta o imaginário acerca de Drácula são todos os trabalhos midiáticos desenvolvidos com base na mitologia por trás da obra, como o sol, o espelho, os objetos religiosos (no plural mesmo), alho, rosas silvestres, sendo que alguns desses já foram desenvolvidos para o cinema, como o sol.
O mito do vampiro ficou mais enriquecido após a obra Drácula, escrita por Bram Stoker, e se tornou um fenômeno, mesmo tendo anteriormente escritores do mais diversos, se baseando neste folclore do leste europeu. Desmentindo Davanzati, podemos ver, com o crescente de obras sobre vampiros, que a influência do mito vai além do imaginário de um povo iletrado e camponês, podendo enriquecer-se na mente até mesmo de eruditos e assim construindo um mundo fantástico.

Referências bibliográficas:
BARTHES, Roland. Mitologias. 5 ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2010.
MCNALLY, R. T.; FLORESCU, R. Em busca de Drácula e outros vampiros. São Paulo: Mercuryo, 1995.
MELTON, John Gordon. O livro dos vampiros: A enciclopédia dos mortos-vivos. São Paulo: M.Books do Brasil, 2003.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Em busca de outra história: Imaginando o imaginário. Revista
Brasileira de História. São Paulo, v. 15, n. 19, 1995.
STOKER, Bram. Drácula. São Paulo: Madras, 2002.

[1] Termo servo-croata para definir vampiro.
[2] Temor mórbido de um mal desconhecido (HOUAISS).
[3] Dissertação sobre vampiros.
[4] Vampiro, em italiano.
[5] Nome dado ao vampiro pelos bielorrussos, tchecos e eslovacos.
[6] Dissertação sobre as aparições de anjos, demônios, dos espíritos e fantasmas e vampiros na Hungria, Boêmia, Morávia e Silésia.
[7] MELTON apud CALMET, 2003, p. 223.
[8] Revista inglesa criada por Henry Colburn em 1814.
[9] Revista inglesa criada por John Christian Freund em 1871.
[10] Ordem fundada em 1888 por Samuel Liddell MacGregor Masters que estuda ocultismo.
[11] Nobre que se tornou membro da Ordem do Dragão em 1431.
[12] Vlad, o Empalador, em romeno.
[13] Nosferatu, Uma sinfonia de horror, de 1922.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Vampiro na literatura dos séculos XVIII e XIX – cont.

Continuando a publicação do artigo "O VAMPIRO LITERÁRIO DO SÉCULO XVIII AO XIX", feito por mim na Faculdade de História que estou fazendo na Saberes, coloco mais algumas partes. Se não viu as partes anteriores, então leia as duas anteriores aqui e aqui. Boa leitura!


3 O VAMPIRO LITERÁRIO DO SÉCULO XVIII AO XIX


2.2 De Coleridge a Stoker

A literatura vampírica chegou à Inglaterra em meados do século XVIII com poemas escritos por Goethe, Bürger e Tieck, mas só tornou-se parte da literatura inglesa quando

Samuel Taylor Coleridge escreveu o poema Christabel. No poema, escrito em 1816, ele nos apresentava Geraldine, uma vampira apaixonada pela personagem-título.

A aceitação de que o texto pudesse ter referências vampíricas só veio no século XX, graças a Arthur H. Nethercot, que

percebera nas características de Geraldine semelhanças com seres

vampirescos.

O poema Christabel também tem certo destaque pela retratação da relação lésbica das duas mulheres, sendo a primeira citação em toda a história literária dos vampiros.

2.2.1 Lord Ruthven

Como o poema Christabel gerava dúvidas se era ou não um poema relacionado a vampiros (esta dúvida somente seria esclarecida em 1930, pelo crítico literário Arthur H. Nethercot), algumas das mentes inglesas mais sapientes decidiram se reunir em Genebra, no ano de 1816, para criar suas próprias histórias de monstros.

O encontro aconteceu pelo acaso da viagem do lorde inglês George Gordon Byron.

Lord Byron, como é mais conhecido, se tornara um nobre inglês após o falecimento de um tio-avô, herdando assim o título e todos

os bens da família. Em 1813, Byron fez sua primeira aventura no

universo vampiresco com o poema The Giaour. Apesar de antecessor ao poema de Coleridge, Byron nunca reivindicou tal posição. O impressionante no poema é o conhecimento de Byron quanto à mitologia vampírica grega, tornando o personagem-título, o giaour (um marginal da fé cristã), em um vrykolaka, um não-morto que volta

para atormentar a família, bebendo do sangue deles.

Este foi o primeiro de vários poemas escritos por Byron acerca do tema, mas o texto que viria a ser o primeiro conto de vampiros na história da literatura mundial, só ocorreu após sua separação.

Em 1816, Byron iniciou uma viagem excursionaria pela Europa, ao lado do jovem médico John Polidori. Esse era pouco conhecido do mundo literário, pois sua única aventura nesse meio havia sido uma tese sobre o pesadelo. Na cidade sueca, Byron e Polidori receberam o casal Percy Bysshe Shelley e Mary Wollstonecraft Goldwin, e a irmã adotiva dessa, Claire Mary Jane Clairmont, e em uma noite chuvosa, decidem escrever contos fantasmagóricos. Para incentivar a mente de seus parceiros, Byron lê alguns contos do escritor alemão de ficção gótica, Ernst Theodor Wilhelm Hoffman.

Durante dois dias eles desenvolveram histórias dos mais diversificados tipos, sendo que, a história da jovem Mary, com 19 anos na época, fora a única que se tornara um best-seller, conhecido com Frankenstein, or The Modern Prometheus, que fora publicado em 1818, quando ela já se chamava Mary Shelley.

Byron teve sua colaboração contando a história de dois amigos que viajam a Grécia, aonde um deles vem a ser atacado e morto. Prometendo não contar sobre a morte de seu parceiro de viagem, o sobrevivente retorna a Inglaterra e depara-se com seu comparsa vivo e tendo um caso com sua irmã. O próprio escritor não dera muita relevância à história, mas seu amigo, o médico John Polidori gostara tanto, que anotara tudo.

Meses depois do encontro, Polidori seguira para a Inglaterra enquanto Byron continuou sua viagem. Quando esse retorna, em maio de 1819, encontra uma nota no jornal New Monthly Maganize com o título The Vampyre e colocando-o como autor. Mal sabia ele que o verdadeiro escritor era seu antigo companheiro de viagem, John

Polidori.

Quando retornara a Inglaterra, o jovem médico, que sonhava em ser um escritor, decidiu usar das anotações que fizera da história de Byron e desenvolveu o conto do jovem Aubrey. Um rapaz abastado, mas ingênuo que conhece Lorde Ruthven, e o acompanha em uma viagem pela Europa. Durante a viagem, Aubrey conhece outra faceta de Ruthven, de jogador e agiota, então decide se separar dele e seguir sozinho para a Grécia. Ao chegar ao país helênico conhece uma jovem que relata sobre o vampiro, um ser poderoso que é capaz das mais terríveis artimanhas. Os dois iniciam um romance, quando chega Ruthven. Dias depois da chegada do lorde, a jovem grega morre atacada por um vampiro. Sem

fazer ligação aos fatos, Aubrey aceita a mão amiga de Ruthven e ambos continuam a viagem juntos, mas numa noite de lua cheia, são atacados por ladrões e o lorde é morto. Antes de vir a falecer, pede a Aubrey que nunca revele a ninguém sobre sua morte. Sustentando a promessa, ele retorna à Inglaterra, aonde encontra sua irmã noiva de certo Conde Masden. Quando vai conhecer o conde, descobre que este é ninguém menos que Ruthven, mas por causa de sua promessa, nada pode revelar. Tenta impedir a união de ambos, mas não consegue e a irmã de Aubrey termina morta e Ruthven desaparece.

O conto ganhou fama na Europa, principalmente na Alemanha, aonde fora elogiado pelo romancista Goethe e na França, virando a peça Le Vampire, de Charles Nodier, em 1820. Ainda no país germânico, a obra virou uma ópera, intitulada Der Vampyr, de Henrich August Marschner, em 1829. Toda a fama era devido à suposta autoria de Byron, que conseguira sobre muita persistência que não lhe dessem a autoria pela obra, ainda mais por Polidori ter sido audaz em usar o nome Lorde Ruthven, no qual a ex-namorada de Byron, Lady Caroline Lamb, havia usado em seu livro intitulado Glenarvon, publicado em 1816, fazendo referência ao nobre escritor.

Byron, após este episódio, nunca mais mencionou vampiros em seus poemas ou contos, mas as mudanças já haviam acontecido e iniciado um enorme movimento literário sobre o assunto.


2.2.2 Um adendo

Com o sucesso do conto The Vampyre em toda a Europa, surgiram várias obras semelhantes, mas com a diferença de que o

vampiro não se dava bem no final, ao contrário de Ruthven, que assassinara a irmã de Aubrey e fugira, impune. Lógico que na peça de Nodier, Le Vampire, ele não saía impune, mas arcava com as consequências de seus atos. Em 1852 foi à vez de Alexandre Dumas, famoso romancista, levar Lord Ruthven aos palcos da França. Infelizmente, o verdadeiro criador da obra, John Polidori, não viveu muito para ver o sucesso de The Vampyre, pois se suicidara em 1821, dois anos depois de lançar o conto. Mas as crias surgiram anos depois. Entre eles, o que ganhou mais destaque foi Varney, de James Malcolm Rymer.

Rymer escreveu Varney, The Vampire: or, The Feast of Blood em 109 capítulos em 1840 e no mesmo ano, a obra virou um romance de 868 páginas. A crença daqueles que leram a obra era de que Rymer decidira fazer uma reimpressão mais extensa de The Vampyre, de John Polidori, pois todas as opiniões do escritor

encontravam-se naquele novo trabalho. Houve muitas confusões em referência a autoria da obra, tanto que o vampirólogo Montague Summers a atribuiu a Thomas P. Prest, autor da obra Sweeney Todd.

Depois da publicação de Varney, The Vampire, somente em 1870 que o escritor e explorador Richard Francis Burton viria a escrever Vikram and the Vampire. O romance era a primeira menção do mito vampírico relacionado à Ásia. Nele o autor se usa das lendas do Rei Vikram, uma figura real indiana que se tornou um gigante mitológico. A história se inicia quando o rei é enganado por um iogue, um tipo de místico indiano, que o convence a passar uma noite no local da cremação e no outro dia lhe pede para seguir por mais uns seis quilômetros ao sul e trazer um corpo que estaria pendurado nos galhos de uma mimosa, o corpo é de um betail, o vampiro hindu. Vikram demora a convencê-lo, mas quando acontece, durante o caminho de volta, o betail lhe conta várias histórias. Quando ambos chegam ao local da cremação, encontram o iogue convocando Kali. Em uma batalha homérica contra os mais diversos seres demoníacos indianos como rakshasas e bhutas, outros exemplo de vampiros hindus, Vikram mata o iogue e ganha dos deuses a fama que ostentou entre seu povo. A história publicada por Burton era parte do livro The Vetala-Pachisi, um tipo de Mil e Uma Noites indiano.

Anos depois, mais exatamente em 1872, na coletânea Glass Darkly, Joseph Thomas Sheridan Le Fanu publicou Carmilla.

Carmilla fora considerado o terceiro romance sobre um vampiro na literatura inglesa, já que o livro de Burton era uma republicação de um clássico indiano. O termo vampiro não cabe bem a personagem, que era uma mulher, mas que retomava o mesmo conceito criado pelo poeta Samuel Taylor Coleridge, ou melhor, de uma vampira lésbica.

A história de Carmilla é contada por Laura, desejo da personagem-título. Ela é filha de um funcionário público aposentado que adquiri um castelo em uma região rural da Estíria, na Áustria, onde os dois residem. A primeira aparição da vampira aconteceu quando a jovem tem seis anos e adormece nos braços de sua algoz, sentindo duas agulhas finas penetrarem no seu peito, ela grita, fazendo Carmilla desaparecer embaixo da cama. Quando a babá e a criada chegam ao quarto, não veem nada. Quando Laura completa 19 anos, Carmilla reaparece após um acidente convencional. A mãe dela a deixa no castelo, pois deseja chegar rápido ao destino de ambas. Quando a vampira e sua vítima se reencontram, ela é logo reconhecida, mesmo após treze anos. O que mais impressiona Laura é a semelhança de Carmilla com a Condessa Mircalla Karnstein, de quem Laura é descendente pelo seu lado materno.

Neste ínterim, chega ao castelo o General Spilsdorf, amigo do pai de Laura, para contar sobre a morte de sua filha, que morrera de causa desconhecida, por isso desconfiavam que tivesse sido um vampiro. O general foi cético quanto ao fato então permaneceu em tocaia no quarto da filha, quando viu a vampira conhecida como Mircalla adentrar novamente no aposento, Ele tentou matá-la com a espada, mas ela fugira. Ao fim do relato, Carmilla entra no aposento onde se encontram Laura, seu pai e Spilsdorf, esse a reconhece e antes de conseguir ferí-la, ela escapa novamente. Eles então a rastreiam até o Castelo dos Karnstein e encontram seu túmulo flutuando em sangue e seu corpo jovial. Providenciam então uma estaca em seu tórax, fazendo soltar um grito estridente, depois a decapitam, queimam seus restos e desfazem das cinzas no vento.

Nessa resumida interpretação do conto de Le Fanu, podemos ver como as formas de agir do vampiro viria a influenciar o mais célebre dos romances sobre vampiros, tanto na antiguidade como nos dias atuais, Drácula.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Vampiro na literatura dos séculos XVIII e XIX – cont.

Como eu já havia prometido, dou sequência a postagem do artigo que fiz para minha Faculdade de História, na Saberes. O primeiro período se encerrou, agora estou esperando o começo do segundo, e com um objetivo em mente, fazer minha biografia a partir dos clássicos literários sobre vampirismo. Boa leitura a todos!

 vampire 2 O VAMPIRO LITERÁRIO DO SÉCULO XVIII AO XIX

2.1 O Início

A literatura, desde o século XVIII, vem desenvolvendo as mais fantásticas histórias sobre vampiros. Sem um conhecimento certo de onde surgiu a mitologia, com uma suposição que possa ter se desenvolvido na Antiga Mesopotâmia e migrado para a Grécia, e dali para Roma e os países da Europa Oriental. O nome vampiro deriva da palavra upir, que surgiu em um texto na região da Eslovênia do século XV. A migração para a Europa Ocidental aconteceu no ano de 1748, no poema Der Vampyr, escrito pelo alemão Heinrich August Ossenfelder. O poeta ouvira sobre a história de Arnold Paole, um sérvio que após morto fora dado como vampiro. Ele teve o corpo exumado após 40 dias, e por manter uma aparência de recém-enterrado e, após perfurarem o corpo e sair sangue, o estaquearam, decapitaram e queimaram.

O poema de Ossenfelder era curto, mas contava a história de um jovem apaixonado que ameaçou seu interesse amoroso de visitá-la todas as noites e beber-lhe o sangue, dando o beijo do vampiro. buerger1No mesmo século surgiu Lenore de Gottfried August Bürger, um poema que narrava à história de um jovem que prometeu voltar do túmulo como um morto-vivo e reivindicar sua amada e levá-la com ele para o túmulo, tornando-a sua eterna noiva. Muitos creem que este poema teve grande influência sobre a maior obra vampírica da história, Drácula.  Mas grandes escritores alemães também tiveram sua passagem pela literatura vampírica, como Johann-Wolfgang-von-GoetheJohann Wolfgang Von Goethe, escritor alemão, que em 1797 escreveu Die Braut Von Korinth, que contava a história de um jovem de família pagã que se apaixona por uma jovem de família cristã, mas após ver seu noivado desmanchado e sendo transformada em freira por sua mãe, a jovem se suicida e retorna do túmulo a procura de seu noivo. Goethe explicou que fora influenciado pelo conto Philinnion, de Flégon de Trales, um romancista da Grécia Antiga, outra fonte de muitos mitos como a lamia, empusa, mormolykiai, vrykolaka e o callicantzaro. Ludwig_Tieck Outro grande poeta alemão a publicar sobre o tema vampiro foi Johann Ludwig Tieck, que publicou sua obra que fora traduzida para o inglês com o título Wake Not the Dead. A obra contava a história da jovem Brunhilda, que fora trazida de volta à vida pelo seu amado Walter, um nobre que acordou um dia e a viu se esvaindo de sangue.

Com a chegada do texto de Tieck à Inglaterra, o interesse pelo mito dos vampiros foi crescendo. Outro fator para o desenvolvimento da literatura foram às dissertações desenvolvidas no âmbito da Igreja Cristão-Católica Romana pelo arcebispo Giuseppe Davanzati, que escreveu Dissertazione sopra I Vampiri, em 1744, e o acadêmico Calmet_Augustin Dom Augustin Calmet que, em 1746, escrevera Dissertations sur les Apparitions des Anges, des Démons e des Esprits, et sur les revenants, et Vampires de Hungrie, De Bohême, de Moravie, et de Silésie. Essas dissertações traziam relatos e explicavam o que era e como destruir um vampiro, servindo de base, mais tarde, para os romancistas.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O VAMPIRO NA LITERATURA DOS SÉCULOS XVIII E XIX

Este ano eu iniciei uma faculdade de História – Licenciatura. Dentre os vários trabalhos pedidos para serem feitos, requereram dos alunos que preparassem um artigo acadêmico sobre um tema livre. Eu cheguei a ficar entre três temas que eu gosto, mas optei pela Literatura vampírica, tão em voga nos dias de hoje graças aos filmes da “Saga” Crepúsculo e os seriados True Blood e The Vampire Diaries. Verdade seja dita, se não fossem os europeus do século XVIII, mas exatamente os poetas alemães, nenhuma dessas histórias existiriam nos dias de hoje, por isso me dediquei a fazer um artigo sobre eles. O que colocarei aqui será somente o Resumo, o Abstract e a Introdução, mais para frente coloco como tudo começou. Boa leitura!

write-letter-byron-2003 O VAMPIRO NA LITERATURA DOS SÉCULOS XVIII E XIX

RESUMO: Este artigo tem como objetivo fazer uma breve biografia sobre a literatura vampírica iniciada no século XVIII. Os vampiros permeiam o imaginário popular desde os tempos pré-históricos, mas alcançaram o Ocidente e provocaram um grande furor com histórias de horror de todos os tipos, baseando-se, muitas vezes, em histórias reais e na mitologia da Europa Oriental de vários povos. Sua ascensão começou na Alemanha, que será o ponto de partida, indo para a literatura popular inglesa, que veio a influenciar várias histórias contadas até os dias de hoje. Como se desenvolveu a literatura vampírica na Europa Ocidental? Quais foram os grandes personagens dessa literatura? E qual foi aquele que mais ganhou destaque nesse meio?

Palavra-chave: vampiro, literatura, Europa, biografias

The vampire in literature from the 18th and 19th centuries

ABSTRACT: This article aims to give a brief biography about vampiric literature started in the 18th century. Vampires permeate the popular imagination since prehistoric times, but reached the West and caused a big splash with horror stories of every kind, relying often on true stories and the mythology of various peoples of Eastern Europe. His rise began in Germany, which will be the starting point, going to English popular literature, which came to influence many stories to this day. As we developed the vampiric literature in Western Europe? What were the great characters of literature? And what was the one that most spotlighted in this environment?

Keyword: vampire, literature, Europe, biographies.

1 INTRODUÇÃO

Com uma extensa história na literatura mundial, viajando toda a Europa e chegando as Américas, com todos os seus mitos e crenças, os vampiros encantam a humanidade desde o século XVIII. Com um princípio bem simplista, em poemas alemães, eles vieram a fazer parte de temas de reuniões de romancistas ingleses, abrilhantarem a obra de um mero funcionário público e participar como coadjuvante de um grande ícone da literatura inglesa. Inundaram os Estados Unidos, se tornando grandes crônicas vampíricas e formando famílias seculares ou colocando irmãos em riste. Chegaram ao Brasil e se tornaram sucesso de vendas. A intenção deste artigo é contar como aconteceu esse grande desenvolvimento da literatura vampírica no mundo, a ponto de torná-lo ícones da cultura popular.

sábado, 1 de agosto de 2009

“A Grega” no Clube de Autores

Há alguns anos atrás, o escritor André Luz desenvolveu a história da grega Marcelle Anthemimus. Ela é uma vampira que vai até o Espírito Santo para contar sua história a jornalista Caroline Guimarães. Durante anos ele tentou lançar este livro, mas sempre com esforços em vão, devido aos altos custos das editoras. Com o surgimento do site Clube de Autores, ele conseguiu o seu intuito e publicou seu romance, “A Grega”.

O livro está a venda pelo valor de R$ 41,72 (mais custos de entrega). Para ver, entre aqui: http://clubedeautores.com.br/book/3535--A_Grega e boas compras.

Abaixo o promo do romance, feito por Luciana Waack:

livro do andré cópia

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Vampiros X Vampyros

O mito dos vampiros transcendem o tempo e o local. Em cada canto do planeta você ouvirá um mito sobre um ser bebedor de sangue, que retorna do reino dos mortos, para viver eternamente. Alguns conhecem o mito como uma pessoa que não completou sua missão na Terra, ou que morreu de forma inadequada, ou mesmo foi enterrada de forma indevida. Temos também o mito de Lamia, que por ter perdido seu filho durante o parto, ficava sobre uma árvore e atacava as mães e seu filhos ou mesmo jovens rapazes, que ela seduzia e bebia de seu sangue. Das Américas Andinas ao Japão, o mitos são os mais variados e muitas vezes semelhantes. O mito foi tão bem desenvolvido na Ásia e no oriente europeu, que encantou a Europa Ocidental, que começou a desenvolver poesias e contos do mais diversificados, sobre vampiros. Até que um grupo de ingleses se reuniu e dediciram desenvolver contos de horror. Deste encontro saiu "Frankenstein" de Mary Shelley e "O Vampyro" de John Polidori.
Lógico, o nome do título não tem haver com o que escreverei mais a frente, mas é interessante como Polidori usou este título. Ele o escreveu em homenagem a um dos grandes escritores da história, que participou naquela noite do encontro, Lord Byron. Durante uma viagem dos dois na Grécia, Polidori desenvolveu seu personagem pensando no seu companheiro. A história é sobre Lord Ruthven, um lorde inglês que viaja com um jovem pela Grécia, e lá este jovem descobre que ele é um vampiro. Os dois se separam o só vêm a se encontrar no casamento da irmã do jovem rapaz com o Conde Masden (daí vem meu sobrenome), que consequentemente é Lord Ruthven, que herdará o título do próprio pai. Lógico, não contarei toda história, pois ela é muito interessante.
É interessante a mudança do estilo do vampiro neste momento, que passa de morto-vivo para um membro da alta-classe inglesa. Este romance foi uma das idéias iniciais para outro grande romance, mais conhecido de todos. De Bram Stoker, "Dracula".
Dracula contava, através de cartas e diários, a história de um conde romeno que vai morar na Inglaterra vitoriana e lá começa a vampirizar jovens e encantá-las. O interessante é que, o vampiro de Polidori não tinha problemas com sol ou mesmo objetos sagrados. Lógico, preferia a noite para agir, pois a escuridão o favorecia, mas o sol não lhe fazia nenhum mal. Já Dracula manteve o mito religioso de que não poderia tocar ou ser tocado por um objeto sagrado, como um crucifixo. Uma das artimanhas do personagem de Van Helsing, foi encher o caixão de Dracula com hóstias eucarísticas, tornando a terra ali dentro consagrada.
Dracula se tornou o ícone do vampirismo mítico-moderno, fazendo a todos crerem que o conde Vlad, O Empalador, cujo pai fez parte da Ordem do Dragão (Dracul, que significava demônio ou dragão) e se auto-denominava Vlad Dracul, era um vampiro mesmo. O povo romeno considerou o livro uma ofensa ao seu herói, mas isso não impediu Drácula de chegar ao teatro, primeiramente, e logo depois ao cinema.
A primeira versão data de 1922 e foi feito na Alemanha, seu título era Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, do cineasta F.W.Murnau. Sem permissão da viúva de Bram Stoker, Murnau criou sua própria versão do romance. O vampiro se chamava Graf Orlock e foi generosamente interpretado por Max Schreck, mas nem por isso deixou de ser caçado. A viúva de Stoker processou o diretor do filme e ordenou que todas as cópias fossem queimadas, só que após o falecimento dela, várias outras surgiram e com isso fora salvo o primeiro filme de vampiros da história do mundo.
Essa versão de Murnau gerou várias cópias também, dentre elas Nosferatu: Phantom der Nacht, do alemão Werner Herzog, Shadow of Vampire, de E.Elias Merhige, onde o ator John Malkovich interpreta Murnau e Willem Dafoe interpreta um Max Schreck baseado no mito. Falavam que Schreck, durante todo o período de gravação de Nosferatu, nunca tirou o figurino, sempre mantendo a maquiagem e os dentes postiços. O filme também ganhou uma interpretação em palco, através da Cia. de Teatro Urgente, de Vitória-ES, que manteve o nome Nosferatu, mas a transformou num trabalho de expressão corporal, interpretado pelo bailarino Marcelo Ferreira.
A versão de Dracula, feitas para os palcos dos teatros ingleses pelo próprio Stoker, fez enorme sucesso, principalmente com o ator austro-hungáro Bela Lugosi o interpretando. Por isso que o diretor Tod Browning o convidou, em 1931, para fazer o filme Dracula. Com o roteiro baseado na peça, o filme nos mostrava um Conde Dracula vestido com pompa e elegância e sem os enormes dentes afiados, que só viriam a surgir em 1958, quando Christopher Lee interpretou o vilanesco Conde no filme Horror of Dracula, pela Hammer Films Productions.
A história de Dracula no cinema é longa e vem com filmes maravilhosos a filmes deploráveis, que contêm o nome do personagem, mas um que consagrou foi pelas mãos do diretor Francis Ford Coppola. O filme Dracula de Bram Stoker, de 1992, trazia uma versão o mais aproximada possível do livro de Stoker e também se baseava nos livros de Radu Florescu e Raymond T. McNally, "Em Busca de Drácula e Outros Vampiros" e "Dracula: Mito ou Realidade". A história era a seguinte, o Conde Vlad III, O Empalador, é casado com uma jovem, chamada Elizabeth. Um dia ele parte para a guerra, na intenção de combater os magiares, povo turco e bárbaro, e quando volta descobre que sua esposa cometera suídicio, assim não podendo ter um enterro católico. Vlad não concorda com isso e condena a Igreja, mas ele termina condenado a vida eterna. Passado longos anos, o jovem Jonathan Harker vai a Transilvania para vender um imóvel a um misterioso Conde Dracula e lá descobre que ele é um vampiro que deseja ir a Inglaterra. Jonathan é impedido de fugir do castelo de Dracula e este vai para o país inglês, onde conhece Mina Murray e por ela se apaixona. Ela também se apaixona por ele, mas desconhece que ele é o responsável pela enfermidade surpreendente que assola sua amiga, Lucy Westenra. N ointuito de ajudar a jovem enferma, um médico, amigo da família da srta. Westenra, chama o renomado médico-professor Abraham Van Helsing. Ele descobre que ela fora vampirizada e que corre enorme perigo... Resumindo um pouco a história, ela se torna uma vampira, descobrem o responsável, após a volta de Mina e Jonathan da Romênia, onde se casaram, mas Mina também é vampirizada e como solução eles têm de ir a caça do conde, que retorna ao seu país e é morto pelos homens apaixonados por Lucy - Lord Arthur Holmwood, Quincy Jones e o Dr. Jack Seward -, Jonathan Harker e o Prof. Van Helsing. Bem, o filme é fantástico e glorifica o mito de Dracula. Mas como eu disse, é um mito.
Vlad III, o Empalador, para muitos foi um terrível vilão assassino, que matou vários na ponta de uma lança, mas no seu país ele é um herói, que defendeu a soberania do seu povo como pôde, mas a história de Vlad e sua família envolve o misticismo, pois diziam que a Ordem do Dragão tinha um envolvimento muito assíduo ao ocultismo.
Bem, mais na atualidade uma nobre senhora de Nova Orleans decidiu modificar ainda mais o mítico mundo vampírico, então em 1976, Anne Rice decidiu escreveu Interview With The Vampire. O livro conta a história de Louis De Pointe du Lac, um abastado senhor de terras que após perder esposa e filha, decidi que sua vida não presta, só que mal sabe ele que está sendo estudado pelo vampiro Lestat de Lioncourt, que o quer como cria. Após transformá-lo em vampiro, Lestat e Louis vivem várias aventuras e em uma delas criam a vampira-criança Claudia. Claudia e Louis decidem viver sozinhos, e ela decide dar cabo do seu criador, então os dois partem para a Europa, onde vivem outro momentos inusitados, até chegarem a França e serem convidados ao Theatré du Vampires, onde conhecem Armand e uma horda de vampiros. Eles decidem dar cabo de Claudia, pois não podem aceitar uma vampira-criança... O resto da história vocês terão de ler. Estava criado assim um novo universo de vampiros e um novo mito, onde envolvia-se até os primeiros povos do mundo. Anne Rice ainda viria a escrever The Vampire Lestat e The Queen of the Damned, ampliando ainda mais sua nova mitologia vampírica. Lógico, estes três não foram os únicos, The Vampire Chronicles possuem um total de dez livros e mais dois que fazem parte dos The New Tales of the Vampires. O sucesso dos livros de Anne Rice a fizeram receber um convite para escrever o roteiro do filme, dirigido por Neil Jordan e com os atores Tom Cruise (Lestat), Brad Pitt (Louis) e Antonio Banderas (Armand) e a atriz - ainda jovem - Kirsten Dunst (Claudia), Interview With The Vampire. Um dos filmes mais fiéis, conta com certa exatidão de tudo que o livro possui. Era para ser único, se não tivessem cometido o erro de fazerem Queen of the Damned, com direção de Michael Rymer. O filme trazia uma mistura dos dois livros seguintes de Anne Rice, Tha Vampire Lestat e The Queen of the Damned. Um verdadeiro desastre devido a descaracterização dos personagens do livro, o filme é esquecível. Só não foi pior do que as tentativas posteriores de ressucitar a franquia Dracula.
Dracula 2000, com direção de Patrick Lussier, nos trazia um Dracula, que não era exatamente o Conde do livro, mas (risos!) Judas Escariotes.
Filmes dos mais diversos existem e mantêm mitos ainda existentes. Alho, rosas, hóstia, artefatos religiosos, sol, espelho, tudo isso ainda é utilizado contra um vampiro. Até atualizaram as coisas, mostrando que vampiros não aparecem em fotos, mas até onde isso é verdade ou mentira?
O vampyrismo real existe! Ele vive entra nós e acreditem, andam durante o dia, bebem e comem como qualquer outro, só que são raros os que se alimentam de sangue, como cita o mito. Sua maioria se alimenta de algo chamado prâna (energia psíquica, vital, que mantém o corpo físico funcionando), no intuito de se fortalecer e gerar algo além da imaginação e do conceito de humanidade. Para chegar a esse assunto mais a fundo, deveremos colocar vários outros fatores aqui.
Lógico, comecei falando da mitologia e falarei dela durante um longo tempo, pois para ter uma compreensão mais enriquecedora de tudo, nada melhor do que saber o que não é real, para podermos separar.
Mais a frente falarei mais profundamente do filmes, livros, jogos e outras coisas, que no levaram ao esclarecimento, até chegarmos no momento de falar sobre o vampyrismo real.
O vampyro que menciono não tem - ou tem - muito haver com o Vampyro de John Polidori, mas isso só será descoberto mais para frente.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Vampirologia - O Estudo

Hoje iniciamos o blog Vampirologia - O Estudo. O que veremos aqui é o conteúdo da Comunidade no Orkut Vampirologia - O Estudo e algumas coisas mais, de minhas fontes de estudo. Aquele que quiser contribuir com algo, e só me enviar por e-mail e terei um enorme prazer em publicar, desde que tenha coerência e seja aceitavel. Publicarei os mais diversificados tipos de assuntos, desde vampyros reais ate os vampiros mitólogicos, como também tentarei falar sobre os clãs do RPG (Role-playing game) Vampiro - A Máscara, criado por Mark Rein*Hagen. Espero contar com contribuintes constantes, e visitas de igual importância. Bem vindos ao blog Vampirologia - O Estudo.

Morbidus Masden